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FORMAÇÃO
BÍBLICA
2.3 Tradição, Magistério e Escritura
Cristo
não é um fundador de nova religião,
nem o cristianismo é uma "heresia" do judaísmo.
Os Apóstolos e os discípulos continuaram freqüentando
o Templo e seguindo os rituais ali celebrados, até
mesmo após a Sua Morte, Ressurreição
e Ascensão (Lc 24,53; At 2,46; 3,1) bem como após
o Pentecostes (At 2,46; 3,1...). Compartilhavam da "visão"
de Jesus de que o cristianismo é o "cumprimento"
do judaísmo, o seu ponto de chegada:
"Não
penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não
vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que,
até que o céu e a terra passem, de modo nenhum
passará da lei um só "i" ou um só
"til", até que tudo seja cumprido"
(Mt 5,17-18).
Entretanto,
os primeiros cristãos não conheciam o Novo
Testamento tal como se conhece hoje. Quando muito haviam
alguns manuscritos destinados apenas a registrar as pregações
locais. Os cristãos de Roma, por exemplo, conheciam
a pregação de Pedro e, possivelmente, conheciam
também uma ou outra das cartas de Paulo (2 Pe 3,15-16).
Vê-se facilmente que os escritos atuais dos Evangelhos
são verdadeiramente o registro catequético
de então, a primeira expressão da Tradição
Apostólica, aqueles que foram escolhidos e aprovados
entre tantos outros (Lc 1,1-2 diz "muitos"):
"A
Tradição de que falamos aqui é a que
vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam
do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito
Santo. De fato, a primeira geração de cristãos
ainda não tinha um Novo Testamento escrito, e o próprio
Novo Testamento testemunha o processo da Tradição
Viva" (Catecismo da Igreja Católica, 83).
"Por
isso, a pregação apostólica, que é
expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se
por uma sucessão contínua até a consumação
dos tempos. (...) Esta Tradição, oriunda dos
Apóstolos, progride na Igreja sob a Assistência
do Espírito Santo..." (Constituição
'Dei Verbum', Conc. Vat. II, n.º 8).
Informa
Papias que o primeiro Evangelho foi escrito por Mateus em
aramaico, que o destinou aos judeus. Vieram outros, inclusive
a tradução dele para o koiné, o grego
popular de então, que não eram ainda tão
difundidos, nem faziam parte de um cânon definido
pela Igreja. Somente algumas comunidades tinham uma espécie
de compilação mais ou menos aleatória,
ao que tudo indica, e não ainda de forma sistemática
como hoje:
"Foi
a Tradição Apostólica que levou a Igreja
a discernir quais os escritos que deveriam ser enumerados
na lista dos Livros Sagrados" ('Dei Verbum, 8,3). Esta
lista completa é denominada 'Cânon' das Escrituras.
Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se contarmos
Jeremias e Lamentações juntos) escritos e
27 para o Novo:
Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio,
Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel,
os dois Livros de Reis, os dois Livros de Crônicas,
Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois Livros
de Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios,
o Eclesiastes (ou Coélet), o Cântico dos Cânticos,
a Sabedoria, o Eclesiástico (ou Sirácida),
Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc,
Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias,
Malaquias, para o Antigo Testamento;
os
Evangelhos de Mateus, de Marcos, de Lucas e de João,
os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de São
Paulo aos Romanos, a Primeira e a Segunda aos Coríntios,
aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses,
aos Colossenses, a Primeira e a Segunda aos Tessalonicenses,
a Primeira e a Segunda a Timóteo, a Tito, a Filêmon,
a Epístola aos Hebreus, a Epístola de Tiago,
a Primeira e a Segunda de Pedro, as três Epístolas
de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse,
para o Novo Testamento (Catecismo da Igreja Católica,
120).
Da mesma forma que então, porque inexistente, para
os católicos ainda hoje, "só a Bíblia"
não é, nem pode ser, o único fundamento
para a fé, eis que não se partiu dela para
o que se crê. O que nela se compôs foi o então
ensinado pelos Apóstolos. Por isso, fundamental ainda
lhes é o conjunto formado por: Tradição
+ Magistério + Escritura:
"Fica
portanto claro que segundo o sapientíssimo plano
divino a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura
e o Magistério da Igreja estão de tal maneira
entrelaçados e unidos, que um não tem consistência
sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a
ação do mesmo Espírito Santo, contribuem
eficazmente para a salvação das almas"
(Constituição Dogmática 'Dei Verbum',
10)
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