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Aqueles que servem a Deus por coisas temporais, na verdade não podem servi-lo de coração. (Sermões 25.2).

OS CAMINHOS DA CATEQUESE

Olhando os caminhos percorridos pela evangelização, percebemos variadas formas de anúncio da Boa Nova. Nesta caminhada a Catequese
sempre esteve presente na educação da fé.
Os tempos fizeram a catequese marcar mudanças e neste contexto podemos observar quatro fases com características próprias.

1º CATEQUESE - INICIAÇÃO À FÉ E À VIDA COMUNITÁRIA
(tempo dos apóstolos)

Foi o período do anúncio do evangelho feito pelos apóstolos.

Despertava para o seguimento de Jesus Cristo, como processo de conversão; vivência fraterna na comunidade; celebração litúrgica centrada na partilha da Palavra e do Pão e no cuidado com a vida de todos os necessitados.

Era uma catequese que conjugava a vida com a experiência de fé.

2º CATEQUESE - IMERSÃO NA CRISTANDADE
(mais ou menos do século V ao séc. XVI)

Toda a pessoa que nascia nesta sociedade já mergulhava na vida cristã. Não existia outra prática de fé reconhecida, senão a religião cristão. Aquilo tudo contribuía para a vivência religiosa: costumes, arte, música, devoções...

A pergunta principal era: - "O que devo fazer para alcançar a vida eterna?"

• A fé estava ligada aos deveres cristãos;
• vivência cristã individualista e pouco comunitária;
• a catequese deixa de ser voltada à Palavra de Deus e perde sua força missionária;
• a vida cotidiana se mistura com a fé, porém sem muito compromisso transformador;
• o Batismo de crianças se generaliza e a catequese de adultos deixa de existir;
• a família, a pregação, a oração...eram responsáveis pela catequese.

3º CATEQUESE POR INSTRUÇÃO
(A partir do séc. XVI até o Vaticano II)

O cristianismo desse tempo se tornou enfraquecido, frente a uma vivência de fé sobre atos secundários: devoções, confrarias, procissões e sustentada por uma ignorância religiosa.

Foi, também, um tempo de grandes acontecimentos como: a Reforma Protestante, Concílio de Trento, descoberta da imprensa, ocupação das terras latino-americanas, difusão das escolas, mudanças no modo de pensar,...
Para fazer frente às exigências desse tempo, a catequese utilizava-se do catecismo, que se tornou o principal instrumento da difusão da fé. A catequese passou a chamar-se de doutrina.

• Assim a catequese sai da família e da igreja para ir ao meio escolar, como ensino obrigatório.
• O melhor cristão era aquele que mais sabia sobre religião e não aquele que se comprometia com a vida e a vivência da fé.
• A atenção era dada as crianças e não aos adultos.
• O importante era a fidelidade às fórmulas valorizando a exatidão e a clareza do ensino doutrinal.
• O catecismo tornou-se um referencial de segurança sobre as questões de fé.

4º CATEQUESE - EDUCAÇÃO PARA A FÉ E A VIDA
(A partir do Vaticano II até os nossos dias)

Frente a uma Catequese racional, fria, abstrata, centrada nas fórmulas, era preciso voltar às fontes e apresenta-la com um novo rosto adequado para os nossos tempos.
Com o Vaticano II, a Igreja abre suas portas para o novo e renova sua presença no mundo como sinal do Reino.

Em 1983, no Brasil, a catequese ganha um grande impulso com o documento da CNBB n.º 26 "Catequese Renovada", Orientações e conteúdos.

Nele se define a prática catequética:"A catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da Fé.
Sua finalidade é a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar no Reino definitivo" (CR 318).

Suas características principais:

• leva em consideração a pessoa e a comunidade;
• a Bíblia é o livro fonte;
• o adulto é o principal destinatário;
• centralizada no segmento de Jesus Cristo;
• privilegia a opção pelos pobres.

A catequese é elemento fundamental e constitutivo da Igreja e portanto para toda a Igreja e para todos (DGC 218).

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