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OS
LIVROS LITÚRGICOS.
Por livro litúrgico, em sentido estrito, entedemos
um livro que serve para a celebração litúrgica
e escrito em vista desta. Também é litúrgico
o livro que, mesmo não tendo sido escrito em vista
da celebração, contém textos e ritos
de uma celebração. No primeiro sentido, o
livro é elemento da celebração e deve
ser até respeitado ou venerado.
Os livros são veículo da tradição,
por exprimirem a fé da Igreja; são fruto do
pensamento, tanto, de um autor, como de uma Igreja particular
em comunhão com outras Igrejas. Os livros litúrgicos
contêm as palavras e gestos que exprime a ação
divina através da Liturgia.
Na história dos livros litúrgicos, podemos
dividi-Ia em cinco períodos:
1º O TEMPO DA IMPROVISAÇÃO.
São os três primeiros séculos cristãos.
Nesta época, não existem livros litúrgicos
propriamente ditos, exceto o texto da Bíblia, era
deixado à livre criatividade. Encontramos aqui a
Didaqué (não é propriamente litúrgico)
com indicações sobre o batismo, eucaristia,
sobre o jejum; também encontramos a Tradição
apostólica do padre Hipólito (primeiro livro
litúrgico em sentido lato) com descrições
de ritos litúrgicos, formulas de consagrações,
orações eucarísticas e outras.
2º O TEMPO DA CRIATIVIDADE ( SÉCULO
IV).
Surge a criação de textos, tanto no Ocidente
como no Oriente, para os ritos litúrgicos, mesmo
sem ser sob forma oficial. Na Igreja de Roma ocorre a passagem
do grego para o latim, como língua litúrgica.
Surge a primeira prece eucarística, e a composição
dos textos eucológicos em latim. Surge também,
o Sacramentarium Leonianum , por Ter sido considerado uma
composição de Leão Magno.
3º
OS LIVROS LlTÚRGICOS PUROS (SÉCULO VII).
A documentação litúrgica aumenta. Se
tem livros litúrgicos verdadeiros em uso. São
chamados livros puros no sentido que cada um deles contém
um elemento da celebração e que servem para
cada ministro. Eles se distinguem:
A) Sacramentário: Livro do celebrante, bispo ou presbítero,
contendo as fórmulas eucológicas para a eucaristia
e os sacramentos. Está dividido em três livros:
Próprio do tempo (da vigília de Natal a Pentecostes),
com textos para ordenação, batismo, dedicação
da Igreja...; Próprio dos santos e o tempo do advento;
Domingos comuns e celebrações vàrias.
B) Lecionário: No princípio, as leituras para
a celebração litúrgica eram lidas diretamente
da Bíblia. Quando se começou a escolher trechos
para determinados dias foram surgindo os lecionários
que contém somente os evangelhos, ou as leituras
não evangélicas, ou ambos os tipos. O tempo
indicado para esse surgimento fica em torno de 645 até
750.
C) Antifonám : Livro que contém os cantos
da Missa, e destina-se ao cantor ou coro. Os mais antigos
devem estar próximos do séc. VIII, ainda se
acham sem notas musicais.
D) Ordines : Para a celebração litúrgica
não bastam os vários livros que contém
os textos, mas é necessário conhecer como
estruturar o desempenho da celebração em si.
Daí surgem livros especiais, feitos com tal propósito,
que se chamarão Ordo ou Ordinarium. A origem de tais
livros deve-se sobretudo a necessidade do clero franco.
Que quer saber como realizam em Roma as diversas celebrações.
4° LIVROS MISTOS OU PLENÁRIOS.
Foram livros nascidos da fusão dos vários
livros. Começam-se a reunir em um só livro
os elementos que servem para a celebração.
O primeiro passo foi inserir por extenso nos Ordines os
textos eucológicos. Eis os livros mistos ou plenários:
A) Pontifical : É o livro que contém fórmulas
e ritos das celebrações reservadas ao bispo,
como a confirmação, as ordenações,
dedicações das Igrejas, das virgens, coroação
dos reis... O primeiro livro desse gênero é
o Pontifical-Germânico do séc. X.
B) Missal: Por exigência de ordem prática começam
a aparecer livros que contém todos os elementos para
a celebração eucarísitica. Este livro
é assim chamado de Missale, ou Liber Missalis, ou
Missale plenarium. A rapidez da difusão do Missal
se deve ao fato da multiplicação das missas
privadas, em que o celebrante dizia tudo, mesmo o que competia
a outros ministros. O Missal é, assim, o livro para
qual confluem o sacramentário, o lecionário
e os primeiros Ordines.
C) Ritual: Livro que contém os ritos celebrados pelos
presbíteros (além dele, deveria haver o Missal
para a eucaristia).
D) Breviário: Foi o livro que compendiou os livros
distintos da liturgia das horas: Saltério, Homiliário
(reunia as leituras patrísticas), Hinário
(hinos de composição eclesiástica para
as diversas horas canônicas), Antifonal e o Oracional
(orações para as diversas horas canônicas).
5º LIVROS DO VATICANO II.
O Concílio Vaticano II quis uma reforma geral dos
livros litúrgicos, com a possibilidade da tradução
nas línguas correntes. Com o Concílio começou-se
uma execução da Constituição
litúrgica, inclusive, na composição
dos novos livros em vista da celebração, introduzindo
a língua vulgar nas várias partes, e na tradução
do velho
Missal como aprontar lecionórios ad experimentum,
traduzir parte do Ritual, etc. Assim,
de 1 ( 68 até hoje, foram publicados oficialmente
pela Santa Sé :
A) . Calendarium Romanum (1969): Regula a ordem do ano litúrgico
e das celebrações dos santos. Foi aprovado
pelo Motu próprio "Mysterii paschalis".
Contém as normas universais do ano litúrgico
e do calendário geral e o novo esquema da Ladainha
dos Santos.
B) Missale Romanum (1970) : Encontra-se o conjunto de tudo
quanto é necessário à celebração
e ucarís tica. Compreende também a Instrução
Geral sobre o Missal Romano (lGMR), que apresenta a teologia
da Missa, articulação do rito, as funções
e tarefas de cada ministro, as normas para a correta celebração.
O MR não é mais um missal plenário,
porque já não inclui as leituras. O texto
do Missal é dividido entre o Próprio do tempo,
dos Santos, Tempo Comum, Missas dos defuntos. Sob o título
do MR têm-se o ardo Lectionum Missae, que contém
o elenco das leituras para o ano litúrgico e os respectivos
cantos entre as leituras.
C)Lecionário: Contém as leituras para a celebração
eucarística e dividi-se em :
Dominical e festivo: compreende os três ciclos A,B,C
dos domingos e solenidades.
Ferial : contém o ciclo bienal da primeira leitura,
onde, se lê quase todo o NT, bem
como boa parte do AT.
.
Santoral : contém as leituras do Próprio e
do Comum dos Santos.
Para as missas rituais: compreende leituras previstas para
a missa que está inserido a celebração
de um sacramento ou de outro rito (profissão religiosa,
exéquias.).
Das crianças: preparado pela CNBB, com textos adaptados
a um itinerário da fé próprio das crianças.
Para as missas de Nossa Senhora: recentemente publicado
no Brasil.
D) Liturgia Horarum : Compendia às diversas horas
do dia a glorificação de Deus. Este novo nome
especifica o de "ofício divino" e substitui
o de "breviário". A edição
é dividida em quatro volumes. Encontra-se a Introdução
Geral à Liturgia das Horas que explica a teologia,
a espiritualidade, as diversas partes e elementos e papéis
dos ministros. São duas as novas perspectivas desse
livro: ele se destina não só aos sacerdotes
e religiosos, mas a toda comunidade cristã; recomenda-se
a celebração das duas horas mais importantes
(laudes matutinas e vésperas) .
E) Pontificale Romanum : No Brasil, foi publicado em vários
livros, que são ordenados conforme apresentação:
Rito de Confirmação, Rito das ordenações,
Rito da consagração das virgens, Bênção
dos óleos e o Ritual da dedicação da
Igreja e altar.
F) Rituale Romanum : Compreende os seguintes ritos e celebrações:
Rito para batismo das crianças, Rito da iniciação
cristã dos aduldos, Rito da penitência, A sagrada
comunhão e o culto do mistério eucarístico
fora da missa, Rito do matrimônio, Rito da unção
dos enfermos, Rito da profissão religiosa, Rito de
exéquias.
G) Diretório Litúrgico : Guia litúrgico
que orienta para preparação das celebrações.
Indica as últimas resoluções da Igreja
a respeito da Liturgia.
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