--    
Teu mesmo desejo é tua oração; se o teu desejo é constante, constante é tua oração. (Narrações 37.14).


CURSO FORMATIVO SOBRE LITURGIA CATÓLICA

OS LIVROS LITÚRGICOS.

Por livro litúrgico, em sentido estrito, entedemos um livro que serve para a celebração litúrgica e escrito em vista desta. Também é litúrgico o livro que, mesmo não tendo sido escrito em vista da celebração, contém textos e ritos de uma celebração. No primeiro sentido, o livro é elemento da celebração e deve ser até respeitado ou venerado.
Os livros são veículo da tradição, por exprimirem a fé da Igreja; são fruto do pensamento, tanto, de um autor, como de uma Igreja particular em comunhão com outras Igrejas. Os livros litúrgicos contêm as palavras e gestos que exprime a ação divina através da Liturgia.

Na história dos livros litúrgicos, podemos dividi-Ia em cinco períodos:

1º O TEMPO DA IMPROVISAÇÃO.

São os três primeiros séculos cristãos. Nesta época, não existem livros litúrgicos propriamente ditos, exceto o texto da Bíblia, era deixado à livre criatividade. Encontramos aqui a Didaqué (não é propriamente litúrgico) com indicações sobre o batismo, eucaristia, sobre o jejum; também encontramos a Tradição apostólica do padre Hipólito (primeiro livro litúrgico em sentido lato) com descrições de ritos litúrgicos, formulas de consagrações, orações eucarísticas e outras.

2º O TEMPO DA CRIATIVIDADE ( SÉCULO IV).

Surge a criação de textos, tanto no Ocidente como no Oriente, para os ritos litúrgicos, mesmo sem ser sob forma oficial. Na Igreja de Roma ocorre a passagem do grego para o latim, como língua litúrgica.
Surge a primeira prece eucarística, e a composição dos textos eucológicos em latim. Surge também, o Sacramentarium Leonianum , por Ter sido considerado uma composição de Leão Magno.

3º OS LIVROS LlTÚRGICOS PUROS (SÉCULO VII).

A documentação litúrgica aumenta. Se tem livros litúrgicos verdadeiros em uso. São chamados livros puros no sentido que cada um deles contém um elemento da celebração e que servem para cada ministro. Eles se distinguem:

A) Sacramentário: Livro do celebrante, bispo ou presbítero, contendo as fórmulas eucológicas para a eucaristia e os sacramentos. Está dividido em três livros: Próprio do tempo (da vigília de Natal a Pentecostes), com textos para ordenação, batismo, dedicação da Igreja...; Próprio dos santos e o tempo do advento; Domingos comuns e celebrações vàrias.

B) Lecionário: No princípio, as leituras para a celebração litúrgica eram lidas diretamente da Bíblia. Quando se começou a escolher trechos para determinados dias foram surgindo os lecionários que contém somente os evangelhos, ou as leituras não evangélicas, ou ambos os tipos. O tempo indicado para esse surgimento fica em torno de 645 até 750.

C) Antifonám : Livro que contém os cantos da Missa, e destina-se ao cantor ou coro. Os mais antigos devem estar próximos do séc. VIII, ainda se acham sem notas musicais.

D) Ordines : Para a celebração litúrgica não bastam os vários livros que contém os textos, mas é necessário conhecer como estruturar o desempenho da celebração em si. Daí surgem livros especiais, feitos com tal propósito, que se chamarão Ordo ou Ordinarium. A origem de tais livros deve-se sobretudo a necessidade do clero franco. Que quer saber como realizam em Roma as diversas celebrações.

4° LIVROS MISTOS OU PLENÁRIOS.

Foram livros nascidos da fusão dos vários livros. Começam-se a reunir em um só livro os elementos que servem para a celebração. O primeiro passo foi inserir por extenso nos Ordines os textos eucológicos. Eis os livros mistos ou plenários:

A) Pontifical : É o livro que contém fórmulas e ritos das celebrações reservadas ao bispo, como a confirmação, as ordenações, dedicações das Igrejas, das virgens, coroação dos reis... O primeiro livro desse gênero é o Pontifical-Germânico do séc. X.

B) Missal: Por exigência de ordem prática começam a aparecer livros que contém todos os elementos para a celebração eucarísitica. Este livro é assim chamado de Missale, ou Liber Missalis, ou Missale plenarium. A rapidez da difusão do Missal se deve ao fato da multiplicação das missas privadas, em que o celebrante dizia tudo, mesmo o que competia a outros ministros. O Missal é, assim, o livro para qual confluem o sacramentário, o lecionário e os primeiros Ordines.

C) Ritual: Livro que contém os ritos celebrados pelos presbíteros (além dele, deveria haver o Missal para a eucaristia).

D) Breviário: Foi o livro que compendiou os livros distintos da liturgia das horas: Saltério, Homiliário (reunia as leituras patrísticas), Hinário (hinos de composição eclesiástica para as diversas horas canônicas), Antifonal e o Oracional (orações para as diversas horas canônicas).

5º LIVROS DO VATICANO II.

O Concílio Vaticano II quis uma reforma geral dos livros litúrgicos, com a possibilidade da tradução nas línguas correntes. Com o Concílio começou-se uma execução da Constituição litúrgica, inclusive, na composição dos novos livros em vista da celebração, introduzindo a língua vulgar nas várias partes, e na tradução do velho

Missal como aprontar lecionórios ad experimentum, traduzir parte do Ritual, etc. Assim,
de 1 ( 68 até hoje, foram publicados oficialmente pela Santa Sé :

A) . Calendarium Romanum (1969): Regula a ordem do ano litúrgico e das celebrações dos santos. Foi aprovado pelo Motu próprio "Mysterii paschalis". Contém as normas universais do ano litúrgico e do calendário geral e o novo esquema da Ladainha dos Santos.

B) Missale Romanum (1970) : Encontra-se o conjunto de tudo quanto é necessário à celebração e ucarís tica. Compreende também a Instrução Geral sobre o Missal Romano (lGMR), que apresenta a teologia da Missa, articulação do rito, as funções e tarefas de cada ministro, as normas para a correta celebração. O MR não é mais um missal plenário, porque já não inclui as leituras. O texto do Missal é dividido entre o Próprio do tempo, dos Santos, Tempo Comum, Missas dos defuntos. Sob o título do MR têm-se o ardo Lectionum Missae, que contém o elenco das leituras para o ano litúrgico e os respectivos cantos entre as leituras.

C)Lecionário: Contém as leituras para a celebração eucarística e dividi-se em :

Dominical e festivo: compreende os três ciclos A,B,C dos domingos e solenidades.

Ferial : contém o ciclo bienal da primeira leitura, onde, se lê quase todo o NT, bem
como boa parte do AT.
.
Santoral : contém as leituras do Próprio e do Comum dos Santos.
Para as missas rituais: compreende leituras previstas para a missa que está inserido a celebração de um sacramento ou de outro rito (profissão religiosa, exéquias.).

Das crianças: preparado pela CNBB, com textos adaptados a um itinerário da fé próprio das crianças.

Para as missas de Nossa Senhora: recentemente publicado no Brasil.

D) Liturgia Horarum : Compendia às diversas horas do dia a glorificação de Deus. Este novo nome especifica o de "ofício divino" e substitui o de "breviário". A edição é dividida em quatro volumes. Encontra-se a Introdução Geral à Liturgia das Horas que explica a teologia, a espiritualidade, as diversas partes e elementos e papéis dos ministros. São duas as novas perspectivas desse livro: ele se destina não só aos sacerdotes e religiosos, mas a toda comunidade cristã; recomenda-se a celebração das duas horas mais importantes (laudes matutinas e vésperas) .

E) Pontificale Romanum : No Brasil, foi publicado em vários livros, que são ordenados conforme apresentação: Rito de Confirmação, Rito das ordenações, Rito da consagração das virgens, Bênção dos óleos e o Ritual da dedicação da Igreja e altar.

F) Rituale Romanum : Compreende os seguintes ritos e celebrações: Rito para batismo das crianças, Rito da iniciação cristã dos aduldos, Rito da penitência, A sagrada comunhão e o culto do mistério eucarístico fora da missa, Rito do matrimônio, Rito da unção dos enfermos, Rito da profissão religiosa, Rito de exéquias.

G) Diretório Litúrgico : Guia litúrgico que orienta para preparação das celebrações. Indica as últimas resoluções da Igreja a respeito da Liturgia.

<<Voltar